• Raoni Cusma

Uma reflexão sobre a construção da alma brasileira

Atualizado: Jul 28


Litografia de Jean-Baptiste Debret, 1835. Domínio público, Biblioteca Digital Luso-Brasileira


O melhor futuro possível de ser concebido para o Brasil, está oculto em suas raízes”

Roberto Gambini


Resumo

O presente artigo é fruto de estudo monográfico intitulado “ O Drama do sujeito-Deus a luz da alteridade”, apresentada à IJEP - Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa como requisito para obtenção do título de especialista em Psicologia Junguiana, e apresenta, por meio de conceitos da psicologia analítica desenvolvida por Carl Gustav Jung como transferência e individuação, a oportunidade de refletir sobre o tema da alma brasileira. O objetivo deste estudo é desenhar um processo inicial sobre qual o papel da transferência no processo de individuação, e a partir desta ótica pesquisar compreender o porquê da indiferença nas relações humanas na sociedade brasileira. Para a realização deste estudo, todo o conteúdo tem como base dois livros que são, O espelho índio de Roberto Gambini e o Resposta a Jó de Carl Gustav Jung. A problematização fundamenta-se nas seguintes questões: Porque o sujeito brasileiro é destituído de alteridade? E por consequência, porque a sociedade brasileira é destituída de alteridade? A hipótese é que este comportamento tem como pilar fundante a interação unilateral que existiu no século XVI entre índios e jesuítas que resultou na “morte” da alma brasileira. Como função compensatória deste vazio criado, a psique potencializou ego, que por não ter um self em seu oposto se tornou Deus em sua própria morada. A metodologia utilizada para a concepção de tal reflexão é de caráter empírico, tendo como pano de fundo vivências e motivações pessoais do autor, qualitativo, baseando-se em fontes bibliográficas diversas e quantitativo, comungando o conteúdo proposto com os dados e números de pesquisa jornalísticas, onde se pretende articular conceitos com o cotidiano do objeto estudado. Por fim, os resultados de tal pesquisa apontam que a sociedade brasileira se formou como um povo egóico que nega o próprio self, e esta negação forma uma densa sombra coletiva e unilateral que afeta profundamente o cotidiano de tal sociedade.


Palavras-chave: Psicologia Analítica, Transferência, Individuação, Alma Brasileira.


Introdução

Caro leitor, este estudo busca ser uma oportunidade de resgate sobre o tema da alma brasileira, e para tal é importante ressaltar que esta pesquisa não tem por objetivo ser absoluta nem propor conceitos limítrofes sobre o estado da arte da psique do sujeito brasileiro, mas sim ser um espaço de reflexão que visa entender o porquê da ausência de alteridade neste mesmo sujeito no atual.


Dito isto, este trabalho tem como pilares dois livros necessários para esta reflexão, O espelho índio de Roberto Gambini e o Resposta a Jó de Carl Gustav Jung.


O primeiro discorre sobre o processo da “morte” da alma brasileira por meio da intensa interação entre o índio que é base de nossa alma e o missionário jesuíta que se tornou a base de nossa cultura egóica. No segundo, será postada a relação entre o ego de Jó e a inconsciência de Javé, elucidando também como se deu o processo de integração de ambos, e qual a importância desta comunhão para o processo de individuação.


O estudo segue a seguinte lógica:

No primeiro capítulo, intitulado a Alma Brasileira, serão pautados dois pontos importantes. Primeiramente, será abordada a temática da transferência por meio de uma breve conceituação para tornar clara a sua importância no processo de individuação. Na segunda parte, todo o conteúdo terá como base o livro Espelho índio de Gambini, onde será apontada, pelo viés da psicologia analítica de Jung, a desconstrução do contexto histórico, o fluxo de integração entre o índio brasileiro e o jesuíta português e qual a consequência desta relação nos dias de hoje.


No segundo capítulo, o foco será compreender o processo de individuação em si, além de percorrer conceitos e etapas para a consolidação do mesmo e, tencionando deixar o conteúdo mais didático para a apresentação do que virá na segunda parte deste capítulo que é baseada no livro Resposta a Jó de Jung, onde o autor retrata também pela ótica da psicologia analítica, a história bíblica de Jó e Javé, e como que a partir desta interação se tornou possível o inconsciente tornar-se consciente e a sombra transmutar-se em luz, para dar sentido ao processo de integração de tais personagens e tornar consolidada a formação do si-mesmo, representado na história pela encarnação de Javé em Jesus.


A partir de tais propostas enunciadas nos dois capítulos já citados, fica mais nítida a conexão com o terceiro e último capítulo, que será apoiado na articulação dos livros acima postos.


Este capítulo irá abordar a temática essencial deste trabalho que é o drama do sujeito-Deus à luz da alteridade, onde serão postadas nuances de luz sobre a sombra coletiva do sujeito brasileiro nos dias atuais.


E, por fim, caro leitor, é aqui que se manifesta a raiz desta reflexão: dar os primeiros passos na jornada de compreensão sobre os seguintes questionamentos: Por que o sujeito brasileiro é destituído de alteridade? E, por consequência, por que a sociedade brasileira é destituída de alteridade?


CAPÍTULO 1. ALMA BRASILEIRA

Capítulo 1.1. O processo de transferência e contratransferência


Para dar base à proposta deste estudo, se faz importante compreender o sentido do termo transferência em sua etimologia, e como o próprio Carl Gustav Jung coloca na Conferência de Tavistock[1] onde situa o termo em sua origem alemã ubertragung, que significa o ato de carregar alguma coisa de um lugar para outro.


Isso torna possível tratar o tema da transferência pela ótica da psicologia analítica como uma forma de projetar conteúdos do inconsciente a fim de que este se torne consciente. E como para transferir algo se torna necessário um objeto que sustente a energia projetada, o processo de transferência necessita de outro sujeito que sirva de espelho e suporte. Sendo assim, pode-se dizer que a transferência é a base de qualquer interação entre sujeitos, e por tal motivo, um dos principais pilares da psicologia analítica.

“Projeção e transferência são fenômenos naturais vividos em toda relação. As projeções são frequentemente os suportes de uma relação humana. Aprendi que é um perigo sério fechar-se dentro deste jogo. Só temos a ganhar com a desmistificação da relação analítica, porque ela escraviza tanto o analista como o analisando. […] quando o terapeuta se humaniza na relação com o outro, este tem a possibilidade de se abrir e de viver seu desenvolvimento” [2]

No mesmo modo e lógica, como existe uma força que transfere e outra que suporta e reflete esta projeção, há também a força reversa desta relação, aqui denominada de contratransferência:

“Com efeito, qualquer projeção provoca uma contraprojeção todas as vezes que o objeto não está consciente da qualidade projetada sobre ele pelo sujeito. Assim, um analista reage a uma “transferência” com uma “contratransferência”, quando a transferência projeta um conteúdo de que o próprio médico não tem consciência, embora exista realmente dentro dele” [3]

Este processo de interação aponta que a relação entre sujeitos é algo vital para a tomada de consciência, o desenvolvimento do ego e a assunção do self. Portanto, a temática da transferência é de grande importância não só para o processo clínico, mas para a compreensão do caminho e dos descaminhos da construção do si-mesmo.

“O que ela quer é o vínculo humano. É este exatamente o núcleo do fenômeno da transferência, que é impossível eliminar, porquanto a relação com o Si-Mesmo é ao mesmo tempo a relação com o próximo. E ninguém se vincula com o outro, se antes não se vincular consigo mesmo” [4]

Refletir sobre o papel da transferência no processo de individuação nos permite

apresentá-la como uma modalidade da psique que manifesta conteúdos compensatórios para dissolver o ciclo vicioso construído a partir da unilateralidade da consciência, pois é ressignificando este modus operandi que se torna possível o desenvolvimento da jornada de individuação, já que é a relação com o outro que permite aflorar conflitos de conteúdos do eu, pois “[…] a aparente unidade da pessoa que declara com firmeza: “eu quero, eu penso etc., se racha e se dissolve como consequência do choque com o inconsciente” [5]


E é este embate compensatório que irá possibilitar a transição de uma situação inconsciente e fragmentada para uma condição de totalidade do sujeito, aqui tratado como o processo de individuação:

“A individuação, em geral, é o processo de formação e particularização do ser individual e, em especial, é o desenvolvimento do indivíduo psicológico como ser distinto do conjunto, da psicologia coletiva. É, portanto, um processo de diferenciação que objetiva o desenvolvimento da personalidade individual” [6]

Sendo assim, o outro é o pilar do desenvolvimento humano, já que este nos reflete. E é a partir desta relação que o inconsciente se torna consciente, e o sujeito, imerso em afetos polarizados e incorporado no dia a dia de uma sociedade perversa, tem a oportunidade única de construir um sentido pleno de aprendizagem e assunção sobre o que lhe faz divino, o si-mesmo.


Capítulo 1.2. O mito do nascedouro da alma brasileira e a suas consequências no cotidiano


Esta parte do trabalho será dedicada a compreender a construção simbólica da alma brasileira e como esta jornada repercute nos dias de hoje. Para tal, o capítulo será inteiramente baseado na obra Espelho Índio — A Formação da Alma Brasileira do analista Junguiano Roberto Gambini.


Este livro objetiva compreender e interpretar o mito originário brasileiro partindo do conceito de projeção. Este estudo foi baseado em um conjunto de aproximadamente 200 cartas escritas pelos missionários jesuítas entre 1549 e 1563, onde buscaram retratar o cotidiano da nova terra conquistada e os hábitos de seus habitantes.


Para imergir em tal ambiente se faz necessário desconstruir o contexto histórico partindo do conceito Junguiano de projeção para dar vida à perversa interação entre os jesuítas missionários que desembarcaram no Brasil no século XVI e a civilização originária brasileira, os índios. Este convívio teve um resultado sombrio, pois, segundo Gambini:

“Nossas raízes foram rejeitadas, pois nem almas possuíamos segundo a doutrina cristã originária imposta, bem como similarmente, tem-se a impressão de que — quem aqui chega — tem direitos sobre nós cuja maioria ainda se sente, subjugado, submetido, rendido, desprovido. Essas condições ainda se fazem expressar em imagens empobrecidas, transmitidas para as novas gerações que assimilaram na consciência coletiva que os primeiros habitantes da nação brasileira são incorporados apenas como um grupo que teve uma pequena contribuição dentro dos moldes da cultura agrícola, nas artes de barro, fusão biológica, técnicas arquitetônicas simplistas, mas que diante dessa riqueza simbólica, não conseguimos alcançar o nível psicológico: nem na vivência, nem no valor cultural.” [7]

A construção desta raiz se sustenta em atitudes projetivas que os missionários dirigiam aos índios, já que este não se inclinava aos costumes, cultura e religião do homem branco, ou seja, o índio foi o espelho que refletia a violenta sombra cristã. Esta prerrogativa fica claro nas palavras do autor onde aponta que “Para os jesuítas do século XVI, como de resto para o homem branco em geral, os índios não foram jamais tocados pela luz: sua natureza, sua cultura, seus corpos e almas nunca ultrapassaram o obscuro limiar da condição humana” [8]


Os habitantes originários do Brasil viviam dentro de um paradigma matricêntrico, isto é, um modelo descentralizado e horizontal de poder onde a figura do feminino era a representação maior do sagrado, pois é esta figura que gera, nutre e protege a vida. Além disso, este símbolo suportava a comunhão de tudo o que é vivo, pois tudo o que é vivo representa o divino e tudo o que é divino deve ser respeitado.


Portanto, foi a partir da ignorância ou indiferença desta relação com o sagrado que os jesuítas conceberam uma espécie de validação da impureza, da imoralidade e indecência que justificou na sua visão a necessidade de conversão, e isto se confirma nas palavras do autor:

“A palavra de ordem dos missionários era livrar os índios do mal. […] até mesmo a iniciativa de vestir os nus era tida como um primeiro passo contra a servidão aos poderes do mal. Esse aspecto era óbvio para os jesuítas desde o início, e a melhor prova que encontraram era o fato de que os índios pareciam demônios. […] Como se percebe, fica patente a incapacidade de aceitar uma aparência humana distinta do habitual, baseada no elementar preconceito de que o que não é como nós deve ser do diabo. Os jesuítas só se interessavam pela alma, topavam com o corpo a todo instante e não entendiam nenhum dos dois”[9]

Este medo do desconhecido, estimulado por um viés unilateral, faz com que a persona dominante do purista pregador tenha em si a potencialização de projeções sombrias, como diz Jung:

“Tudo o que é desconhecido e vazio está cheio de projeções psicológicas; é como se o próprio pano de fundo do investigador se espelhasse na escuridão. O que vê no escuro, ou acredita poder ver, é principalmente um dado de seu próprio inconsciente que aí projeta. Em outras palavras, certas qualidades e significados potenciais de cuja natureza psíquica ele é totalmente inconsciente” [10]

O que é fortalecido com o apontamento que Gambini faz sobre a letra de Jung no livro Psicologia e Religião, postando a imensa força do inconsciente: “Como ninguém é capaz de perceber exatamente em que ponto e em que medida somos possuídos pelo inconsciente, simplesmente projetamos nossa própria condição no próximo” [11]


Este conteúdo projetivo só é ressignificado quando desconstruído, compreendido e integrado na realidade psíquica do sujeito. Como este processo não se realizou, a unilateralidade do conteúdo projetado potencializou uma sombra patológica que deu origem a uma luta para dizimar os símbolos guardiões da alma indígena.


A figura do Pajé e o sagrado feminino incorporavam a tradição e a resistência cultural/espiritual. Estas forças para os índios (principalmente os Pajés) representavam mesma função social que os missionários jesuítas tinham sobre a alma portuguesa.


Portanto para diferenciar o sagrado do profano, os jesuítas satanizaram a figura virtuosa do Pajé, fazendo deste uma espécie inferior e desumanizada que precisava ser extinta pelo bem da alma de seu próprio povo, e o feminino foi vinculado com a figura mítica de Eva, que carregou todo o peso e culpa proveniente do pecado original.


Ao criar este vazio os missionários acreditavam que não seria mais viável para os indígenas a manutenção de um princípio vital, que era o de se manter fiel e digno à sua alma.


Logo, compreender a relação entre o animus inflexível do jesuíta com a anima fragilizado do índio se torna demasiado necessário. Este tema é situado na letra de Jung que posta “A anima, sendo feminina, é a figura que compensa a consciência masculina. Na mulher, a figura compensadora é de caráter masculino, e pode ser designada pelo nome de animus”[12], e reforçando:

“Esse elemento feminino que há em todo homem que chamei de Anima é essencialmente uma maneira secundária que o homem tem de se relacionar com o seu ambiente e sobretudo com as mulheres, e que ele esconde tanto das outras pessoas quanto de si mesmo. Em outras palavras, apesar da personalidade visível do indivíduo parecer normal, ele poderá estar escondendo dos outros — e dele próprio — a deplorável condição da sua “mulher interior”” [13]

Esta anima reprimida dos missionários, que em seu contexto original significava algo pecaminoso, aqui, longe do sufocante espaço inquisitório português, se constituiu um ambiente celeste para dar vida a todo o imaginário projetivo e represado da libido:

“Em contraste com as mulheres devotas, submissas e contidas que conheciam, os conquistadores encontraram no Brasil algo novo e diferente: mulheres a seus olhos amorais, sedutoras e acima de tudo disponíveis e nuas, com quem podiam pôr em prática suas fantasias sexuais sem maiores restrições” [14]

A anima, antes representante do sagrado agora é desvinculada de sacralidade, e figura, a partir deste momento, um papel secundário, sendo uma espécie de serviçal da luxúria jesuítica.


E, depois de ter reduzido a pó o universo do sagrado indígena, a jornada jesuítica sedimentou um cenário ideal para sua obra civilizatória cuja conversão das almas seria a vitória, e o batismo foi a sua principal arma de conquista.


Para os missionários, o batismo era uma via única de salvação espiritual, a possibilidade de transição do obscuro para a luz divina, o que também acarreta na falência da alma indígena como dito pelo próprio Gambini: “Como se percebe, o batismo, nesses casos, é um passaporte para a educação autoritária, a pedagogia jesuítica baseada em poder, obediência, medo e castigo“ [15]


Este processo segundo Gambini matou a alma ancestral brasileira. Esta morte, hoje, traz sequelas e vazios vivenciados no espírito do tempo da tal sociedade, e é possível, mesmo que de forma empírica, constatar um sem-número de fissuras na constituição simbólica dos sujeitos partícipes desta dinâmica sócio-político-cultural.


Este contexto fica mais claro ao pontuar fatos cotidianos que, ao serem relacionados com o conteúdo proposto por Gambini, demonstram que a sociedade brasileira, por não enfrentar a violenta morte de sua alma, se desenvolveu como um povo que nega o próprio self.

Isto se traduz em comportamentos de sujeitos puramente egóicos, e também na luz de sua sombra coletiva.


Segundo o Atlas da Violência 2018, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, homens, jovens, negros e de baixa escolaridade representam 71,5% das mortes violentas no País. Em 2016 no país foram cometidos 62.517 assassinatos. E no período de 10 anos existiu a média de 153 mortes violentas por dia, um total de 553 mil brasileiros mortos. Outro ponto é que o mesmo Atlas aponta que as crianças são as maiores vítimas de estupro no Brasil. 50,9% dos casos registrados de estupro em 2016 foram cometidos contra menores de 13 anos de idade. Além disso, em 32,1% dos casos, as vítimas foram adultos, e em 17%, adolescentes.


Um levantado realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública estima que devem ter ocorrido entre 129,9 mil e 454,6 mil estupros no País em 2015. O Brasil registrou um estupro a cada 11 minutos em 2015 e cerca de 70% das vítimas eram crianças e adolescentes, sendo que somente 15,7% dos acusados por estupro foram presos.No estado do Rio de Janeiro, há um caso de estupro em escola a cada cinco dias e 62% das vítimas tinham menos de 12 anos.

A cada 7,2 segundos, uma mulher é vítima de violência física. Em 2013, 13 mulheres morreram todos os dias vítimas de feminicídio (assassinato em função de seu gênero) e, destas mulheres, cerca de 30% foram mortas por seus parceiros. Por fim, 54% das pessoas entrevistadas pelo estudo conhecem uma mulher (em todas as classes econômicas) que já foi agredida pelo parceiro.


No que tange ao cuidado com o meio ambiente, o Brasil aparece em 46º lugar no ranking de 2016 de países verdes do Environmental Performance Index (EPI), pesquisa elaborada pelas Universidades de Yale e de Columbia, que classificaram 180 países com base em 20 indicadores distribuídos por nove categorias: critérios de saúde ambiental; poluição do ar; recursos hídricos; biodiversidade e habitat; recursos naturais; florestas; energia e clima, entre outros. E cada categoria possui pesos diferentes. Se destrincharmos a situação do país em categorias, ficamos assim: Biodiversidade e Habitat (40º); Florestas (83º); Clima e Energia (92º); Recursos Pesqueiros (17º); Agricultura (115º); Recursos Hídricos (58º); Água e Saneamento (73º); Impactos na Saúde (47º) e Qualidade do Ar (32º).

Ainda em dados sobre o cuidar do arquétipo de nossa grande mãe, dados de 2017 da organização internacional Global Witness, apontam que mais de 200 indivíduos foram mortos por defenderem o meio ambiente e suas terras contra a mineração, a exploração ilegal de madeira, a construção de hidrelétricas e o agronegócio, um número equivalente a quatro mortes por semana.


A pesquisa “Human Rights in 2018 — Global Advisor” da Ipsos, realizada em 28 países com mais de 23 mil entrevistados, constata que seis em cada dez brasileiros acreditam que os direitos humanos apenas beneficiam as pessoas que não os merecem, como criminosos e terroristas. O documento ainda aponta que os brasileiros estão entre os que mais concordam com a frase “direitos humanos não significam nada no meu cotidiano” (28%), ficando atrás apenas de sociedades como a da Arábia Saudita e na Índia. O relatório ainda indica que os direitos mais citados globalmente e que merecem maior defesa e atenção são a liberdade de expressão (32%), direito à vida (31%), direito à liberdade (27%), direito à igualdade de tratamento perante a lei (26%) e direito de não ser discriminado (26%). Enquanto no Brasil foram o direito à segurança (38%), direito à vida (36%), direito das crianças à educação gratuita (32%), direito à liberdade da escravidão ou do trabalho forçado (29%) e direito de não ser discriminado (28%).


De acordo com o relatório da Unicef seis em cada dez crianças vivem em situação precária no Brasil, o que corresponde a aproximadamente 32,7 milhões de brasileiros idade de até 17 anos. O documento contou com indicadores que demonstram não só a relação de renda per capta entre crianças, mas também o cumprimento de direitos fundamentais garantidos na lei.


Mais um destaque é que o Brasil é a quarta nação mais corrupta do mundo, segundo o índice de corrupção do Fórum Econômico Mundial, ficando atrás apenas do Chade, da Bolívia e da Venezuela, que lidera o ranking. Este estudo foi realizado tendo como base perguntas feitas a 15 mil líderes empresariais de 141 economias do mundo. As três perguntas feitas a esses executivos foram: O quanto é comum o desvio de fundos públicos para empresas ou grupos? Como qualifica a ética dos políticos? E O quanto é comum o suborno por parte das empresas?


Já segundo a entidade Transparência Internacional que avalia a percepção da corrupção no mundo, o Brasil caiu 17 posições em comparação ao ano anterior e ocupa o 96° lugar na lista de 2017, que avaliou a corrupção do setor público em 180 países. Esta posição deixa o Brasil atrás de países como Timor Leste, Sri Lanka, Burkina Faso, Ruanda e Arábia Saudita.

E por fim, de acordo com o “Global Fraud Survey”, estudo publicado a cada dois anos pela empresa de auditoria Ernst & Young (EY), posta que o Brasil está em primeiro lugar no ranking de percepção de corrupção no mundo e que 96% dos empresários brasileiros acreditam que suborno é comum nos negócios, em um com 2.550 executivos das maiores companhias de 55 países sobre corrupção, fraude, improbidade corporativa e comportamento antiético, de outubro do ano passado a fevereiro deste ano.


CAPÍTULO 2. RESPOSTA A JÓ — O papel do outro no processo de individuação


Capítulo 2.1 O processo de individuação


O processo de individuação tem um viés teleológico. Isto significa que este processo é uma jornada que tem como causa final a integralidade do indivíduo, e que esta jornada se realiza no transcorrer de toda uma vida. É esta dinâmica que possibilita dar à luz si-mesmo e o desabrochar da totalidade originária

“Individuação significa tornar-se um ser único, na medida em que por “individualidade” entendermos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável, significando também que nos tornamos o nosso próprio si-mesmo. Podemos, pois, traduzir “individuação” como “tornar-se si-mesmo” (Verselbstung) ou “o realizar-se do si-mesmo” (Selbstverwirklichung) ” [16]

Esta jornada é complexa, subjetiva e orgânica (como tudo na vida), e para tal faz-se necessário dar verbo aos meios que, segundo Jung, viabilizam a ideia de integração e totalidade psíquica.


A fim de ilustrar, nesta parte serão pontuados alguns dos conceitos-chave deste processo.

Para que um sujeito possa buscar a sua individuação, é preciso que esse tenha a capacidade de:


1. Viabilizar a sua interação simbólica com conteúdos do inconsciente coletivo;

Podemos conceituar símbolos como uma manifestação orientada para integração de opostos e desassociação de temas unilaterais a partir da conscientização de conteúdos do inconscientes e de matérias que o self julga importante para o processo de individuação, ou como posto nas palavras de Jung (1984,p.487) que “[…] a melhor formulação possível, de algo relativamente desconhecido, não podendo, por isso mesmo, ser mais clara ou característica […] [um símbolo representa] o indizível de forma insuperável”


E, também,

“ Assim, uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato. Esta palavra ou esta imagem tem um aspecto inconsciente mais amplo, que nunca é precisamente definido ou inteiramente explicado. Quando a mente explora um símbolo, é conduzida a ideias que estão fora do alcance da razão […] por existirem inúmeras coisas fora do alcance da compreensão humana é que frequentemente utilizamos termos simbólicos como representação de conceitos que não podemos definir ou compreender integralmente. Esta é uma das razões por que todas as religiões empregam uma linguagem simbólica e se exprimem através das imagens” [17]

2. Que tem como base as imagens arquetípicas;

Tratada como um repertório pertencente ao inconsciente coletivo baseados em elementos estruturantes e originários da psique humana. Este, é conceituado como uma moldura vazia que manifesta traços herdados, compartilhados e impregnado no inconsciente de toda humanidade que se manifesta por meio de símbolos que se transformam e se atualizam ao longo dos tempos. Segundo Jung os arquétipos são:

“Psicologicamente, o arquétipo, como uma imagem do instinto, é uma meta espiritual em direção à qual tende toda a natureza do homem; ele é o oceano ao qual se encaminham todos os rios, o prêmio que o herói arrebata na luta contra o dragão” [18]

3. Oriundas do inconsciente coletivo;

Que é a base que carrega toda herança cultural e espiritual da humanidade e, portanto, são universais e atemporais:

“Os instintos e os arquétipos formam conjuntamente o Inconsciente Coletivo. Chamo-o “coletivo”, porque, ao contrário do inconsciente acima definido, não é constituído de conteúdos individuais, isto é, mais ou menos únicos, mas de conteúdos universais e uniformes onde quer que ocorram. O instinto é essencialmente um fenômeno de natureza coletiva, isto é, universal e uniforme, que nada tem a ver com a individualidade do ser humano. Os arquétipos têm esta mesma qualidade em comum com os instintos, isto é, são também fenômenos coletivos”[19]

4. Que dá base aos complexos;

Uma manifestação somática do inconsciente que possui imagem ou energia carregada de afeto e que é incoerente com os hábitos cotidianos da consciência. Este é um corpo estranho que tem grande força, energia e dispõe de autonomia, como posto por Jung (2000d pg.20) onde “Animado de vida própria. Com algum esforço de vontade, pode-se, em geral, reprimir o complexo, mas é impossível negar sua existência, e na primeira ocasião favorável ele volta à tona com toda a sua força original”


5. Que afetam o inconsciente pessoal;

Este é constituído essencialmente de conteúdos já vividos, mas que foram reprimidos ou esquecidos, e que é:

“(…) o receptáculo de todas as lembranças perdidas e de todos aqueles conteúdos que ainda são muito débeis para se tornarem conscientes. (…) Além destes conteúdos, devemos considerar também todas aquelas repressões mais ou menos intencionais de pensamentos e impressões incômodas. À soma de todos estes conteúdos dou o nome de Inconsciente Pessoal”[20]

6. Que também é manifestada na persona;

Esta é a forma na qual nos apresentamos e nos adaptamos ao mundo exterior. A máscara social é um dos principais mecanismos de sobrevivência e convivência com o meio, e dado a sua importância:

“ O único perigo é identificar-se com a persona, como por exemplo o professor com o seu manual, o tenor com sua voz; daí a desgraça. É que, então, se vive apenas em sua própria biografia, não se é mais capaz de executar uma atividade simples de modo natural” [21]

7. E que se contrapõe à sombra;

Que são aspectos negados, moralmente contestados e foge à luz da consciência, e por isso também demonstra um ambiente de imensa riqueza simbólica. Este tema é universal:

“E todo indivíduo é acompanhado por uma sombra, e quanto menos ela estiver incorporada à sua vida consciente, tanto mais escura e espessa ela se tornará. Uma pessoa que toma consciência de sua inferioridade, sempre tem mais possibilidade de corrigi-la. Essa inferioridade se acha em contínuo contato com outros interesses, de modo que está sempre sujeita a modificações. Mas quando é recalcada e isolada da consciência, nunca será corrigida. E além disso há o perigo de que, num momento de inadvertência, o elemento recalcado irrompa subitamente. De qualquer modo, constitui um obstáculo inconsciente, que faz fracassar os esforços mais bem-intencionados” [22]

8. Fomentando a necessária ação da função transcendente;

Esta função psicológica tem caráter regulador e visa harmonizar o embate de conteúdos proveniente dos opostos, do consciente e do inconsciente, pois “A experiência no campo da Psicologia Analítica nos tem mostrado abundantemente que o consciente e o inconsciente raramente estão de acordo no que se refere a seus conteúdos e tendências”[23]


9. Que busca fazer uma espécie de mediação no processo antidrômico;

É um fenômeno pendular que surge a partir de atitudes e tendência herméticas e unilaterais do ego, formando uma oposição de igual força que tem o objetivo de desconstruir atos extremos, e:

“Só escapa à crueldade da lei da enantiodromia quem é capaz de diferenciar-se do inconsciente. Não através da repressão do mesmo — pois assim haveria simplesmente um ataque pelas costas — mas colocando-o ostensivamente à sua frente como algo à parte, distinto de si”[24]

10. Muitas vezes manifestadas por meio de fenômenos de sincronicidade;

Esta é uma situação não causal e transformadora e que não pode ser confundida com uma simples coincidência pois:

“Como nos mostra sua etimologia, esse termo tem alguma coisa a ver com o tempo ou, para sermos mais exatos, com uma espécie de simultaneidade. Em vez de simultaneidade, poderíamos usar também o conceito de coincidência significativa de dois ou mais acontecimentos, em que se trata de algo mais do que uma probabilidade de acasos”[25]

Fica evidente que todo o processo de desenvolvimento da psique é um caminho de descaminhos, adaptações e compensações sempre orientadas para o seu fim, que é a individuação, tornando possível dizer que todo indivíduo leva consigo a essência simbólica do curador ferido[26].


Todo este processo possibilita a construção de uma raiz forte que permite ver o outro além do ego, pois “Uma vez que o indivíduo não é um ser único mas pressupõe também um relacionamento coletivo para sua existência, também o processo de individuação não leva ao isolamento, mas a um relacionamento coletivo mais intenso e mais abrangente”[27] e, como exemplificado pelo próprio autor: “… tornou-se claro para mim que a meta do desenvolvimento psíquico é o si-mesmo. A aproximação em direção a este não é linear, mas circular… Compreender isso deu-me firmeza e progressividade, restabeleceu-se a paz interior”[28]


Capítulo 2.2. A processo de integração de Deus (self) e Sujeito (ego)


Este capítulo será dedicado a apresentar dois pilares fundamentais da psicologia analítica, os conceitos de ego e de self, além de buscar compreender como se dá o processo de integração dos mesmos tendo como pano de fundo o livro Resposta a Jó de Carl Gustav Jung.


O ego representa o centro da consciência e tem como função fundamental organizar a relação entre consciente e inconsciente, além de selecionar e articular percepções baseadas na diferenciação e no julgamento de experiências vividas no cotidiano.


É a partir desta função que se forma a noção do eu, separando o individual do coletivo, formando a autoconsciência e o reconhecimento da identidade pessoal. Logo, podemos compreender que para dar carne ao verbo, ou seja, para tornar o universo do inconsciente consciente, se faz necessário que o mesmo passe pelo juízo do ego, “Portanto, em minha concepção, o ego é uma espécie de complexo, o mais próximo e valorizado que conhecemos. É sempre o centro de nossas atenções e de nossos desejos, sendo o cerne indispensável da consciência” [29]


Já o Self é tratado como o arquétipo central, governante e criativo que se manifesta por meio de símbolos que dão coesão ao caminho de formação do si-mesmo, pois “O si-mesmo é único e singular, mas como símbolo arquetípico é uma imagem divina e, consequentemente, também universal e ‘eterno’”[30]


É provável que este divino seja o resultado da comunhão entre o self, que transcende e amplia, e do ego, que vivencia e julga, pois, “O Self não é apenas o ponto central, mas também a circunferência que engloba tanto a consciência como o inconsciente. Ele é o centro dessa totalidade, do mesmo modo que o ego é o centro da consciência”[31]


Sendo assim, é viável interpretar que esta experiência de totalidade é a trilha teleológica que orienta a consciência a desnudar suas personas, a dar luz a suas sombras e a reduzir a noção do ego de ser o centro do cosmos psíquico. Portanto “A individuação é um ´mysterium conictionis´ (mistério da unificação), dado que o si-mesmo é percebido como a união nupcial de duas metades antagônicas e representado como uma totalidade composta”[32]

Esta lógica evidência a jornada de individuação como o ato de sublimar, de tornar-se divino por si, e a partir deste tornar-se íntegro, indivisível.


Dada esta introdução, será apresentado o processo de integração do eixo ego-self pela ótica da relação de Jó (ego) e Javé (self) baseada no livro Resposta a Jó, de Jung, que aqui será dividido em dois momentos, sendo o primeiro um brevíssimo contexto histórico e situacional para possibilitar maior compreensão do conteúdo que será posto na segunda parte, onde será aplicado o contexto analítico do conteúdo que agora será postado. Neste ensaio o autor interpreta o processo tortuoso na formação do Deus-sujeito.


Esta jornada possibilitou Javé sublimar, e este é o resultado direto não só da interação mas também dos questionamentos de Jó, como posto nas palavras de Edinger, em que este alega que “Ao manter-se firme em sua posição e permanecer fiel a seu próprio juízo consciente, Jó não sucumbiu à condenação moral de seus ‘consoladores’ e, desse modo, ‘criou o próprio obstáculo que obrigou Deus a revelar Sua verdadeira natureza’”[33], e também a transcendência de Jó, que só foi possível por sua postura de resiliência frente às ações nefastas de Javé, como postados por Jung, onde “[…] do ponto de vista do comportamento humano, o comportamento de Deus é tão revoltante que nos vemos obrigados a perguntar se por trás de tudo isso não há um motivo profundo” [34]

“O livro de Jó coloca o homem justo e fiel, mas golpeado por Deus, em um palco visível a longa distância, onde ele expõe a sua causa aos olhos e ouvidos do mundo: com espantosa facilidade e sem nenhum motivo Javé deixou-se influir por um de seus filhos, por um de seus pensamentos de dúvida, mostrando-se inseguro na relação à fidelidade de Jó. […]” [35]

Javé, dentro de seu contexto histórico, nunca tinha se deparado com um outro humano que não tenha sido uma manifestação coletiva de louvor. Isto inibe a formação estruturada de sua consciência e de seu ego, que por sua vez o torna inapto e demasiado frágil ao lidar com qualquer situação que seja adversa ao seu estado de espírito. Outro fato importante é que dado o vulto de sua função primordial, não existe obstáculo que lhe promovesse alguma necessidade de reflexão, compaixão ou esforço para superá-lo, pois este tudo pode. Isto torna fecundo o cenário para que seu filho Satanás entre no contexto e estimule Javé a pôr em cheque o modus operandi da ética e da fé de Jó.


Por indiferença ou ignorância das consequências de suas ações, Javé permite que seu filho elabore um sem-números de ações para que Jó sucumba para então provar que este que deitara nada tinha de digno.

“Se considerar o comportamento de Javé em seu conjunto, antes do reaparecimento da Sofia, notamos um fato único sempre acompanhado de uma consciência inferior. Observa-se invariavelmente a ausência de reflexão e de referência ao conhecimento absoluto. Parece que a sua consciência não passa de uma “awareness” primitiva. Podemos descrevê-la como sendo uma “consciência meramente perceptiva”. A Awareness não conhece a reflexão, nem a moralidade. O indivíduo simplesmente percebe e reage às cegas, isto é uma inclusão consciente do sujeito cuja existência não lhe oferece problema. Em nossos dias um estado desta natureza corresponderia psicologicamente ao inconsciente e juridicamente a irresponsabilidade”[36]

Jó, por sua vez, construiu uma consciência acentuada devido à sua necessidade de autorreflexão e sobrevivência, pois precisa estar lúcido em meio à complexidade da dinâmica dos afetos e por sua fé rígida e ingênua. Isto gerou imensa impotência na sua relação com um Deus onipresente e de pronto juízo. Além disso, Jó, por sua fé inflexível, enalteceu somente o lado bom e generoso desse mesmo Deus.


O resultado dessa interação é manifestado em uma sequência de fatos que demonstram o esforço dos que têm o atributo divino em sucumbir aquele que é puramente humano. No primeiro ato, mensageiros vão à casa de Jó. O primeiro diz que tribos nômades mataram seus servos e roubaram seus bois e mulas. O segundo conta que um raio acertou as ovelhas e pastores. Já o terceiro diz que outros nômades levaram seus camelos e, por fim, o quarto mensageiro conta que todos os seus filhos foram mortos na passagem de um furacão que fez com que a casa de seu irmão mais velho desabasse. Num segundo momento, seus mais valiosos amigos lhe tornam réu de seu próprio drama.


Estes e outros diversos fatos ocorridos dão vida a um conflito tempestuoso entre a inconsciência de Javé e a resiliência de Jó. Isto possibilita a construção de um cenário onde podemos cogitar que a consequência da coexistência tem como reação um conflito que emerge o que ainda é sombra, tornando possível uma transformação profunda onde a criatura ressignifica a vida do criador e, por conseguinte, o criador integra a criatura.

Deste ato surge uma terceira força com atributos divinos e humanos, e que por isso traz consigo a qualidade de mediador destes dois mundos. É neste momento que Javé vem ao mundo dos homens encarnado em Jesus e inicia sua reconciliação com a humanidade por meio do Cristianismo.


A partir de tal cenário se torna oportuno focar no contexto analítico do processo em que o ego (Jó) e o self (Javé) se estreitam, dando corpo a um terceiro elemento que resulta do desejo de compreender, diferenciar, desconstruir, ressignificar e integrar o universo inconsciente na vida consciente, para formar o si-mesmo (Jesus).

“Nota-se no caráter de Cristo, além de seu amor para com os homens, uma certa irritabilidade e uma falta de autorreflexão, como acontece frequentemente com os temperamentos emotivos. Não se encontra em parte alguma uma indicação de que Cristo se tenha admirado consigo mesmo. Parece que ele não se sente confrontado consigo mesmo. Existe apenas uma exceção a esta regra, o seu grito de desespero na cruz: “ meu deus, meu deus por que me abandonaste? ”. Sua natureza humana atinge aqui a divindade e no momento em que Deus vive a experiência do homem mortal e sente em si próprio os sofrimentos pelos quais fizeram passar o seu fiel servidor Jó. É aqui que se responde a Jó e, o como se pode ver, é um momento ao mesmo tempo divino e humano, “escatológico” e “psicológico”. O motivo divino se acha presente de forma impressionante, neste momento em que se pode sentir o homem em toda a sua dimensão. Os dois são uma só e mesma coisa. Como é que se pretende desmitimizar aqui a figura de Cristo? Uma tentativa racionalista desta espécie nada mais faria, evidentemente, do que esvaziar o mistério desta personalidade, e o que restasse não seria mais o nascimento e o destino de um Deus no tempo, mas uma figura de um doutrinador religioso, mal atestada pela história, de um reformador judeu interpretado e entendido erroneamente em sentido helenístico, algo jamais como um filho de Deus ou um Deus feito homem. Além do mais, parece que tais pessoas não percebem com suficiente clareza que espécies de reflexão, um Cristo isento de toda escatologia por força haveria de provocar! Existe hoje uma psicologia empírica, embora a teologia tudo faça por ignorá-la, e certas afirmações de cristo poderiam ser rigorosamente analisadas por ela. Em outras palavras: se desvincularmos estas afirmações da sua relação com o mito, não haverá outra maneira de interpretá-las senão em sentido pessoal, mas se reduzíssemos afirmações como esta: “ eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao pai senão por mim”, a uma psicologia pessoal, a que conclusão chegaríamos? É claro que a mesma a que chegaram os parentes de Jesus ao afirmarem “ ele está fora de si”. Que sentido terá uma religião sem mito, se sua função, quando realmente existe, é precisamente a de nos ligar ao mito eterno? ” [37]

Isto posto, pontuemos o processo.


No início da história, o ego (Jó) se posta dentro de um ambiente morno, decerto que não se poderia chamar de estático, pois todo sujeito é suscetível à dinâmica dos afetos, porém se faz viável chamar este ambiente de um estado de baixa pulsão afetiva. E este tem como pilar a sua fé na pureza do self (Javé) descrita no livro como algo pueril e inflexível, que por sua vez, dá força a uma percepção de que o mesmo seja o suprassumo da luz, da generosidade e da bondade.


Já o self, sem a possibilidade de ter interagido com o ego, se torna insensível a este e às consequências de suas ações. Isto se torna mais grave quando compreendemos o peso do self no ambiente psicobiofísico de qualquer sujeito vivo. É como — parafraseando Isaac Newton[38] — se um gigante que busca enxergar o mais longe subisse nos ombros de um anão.


Neste momento, para possibilitar o processo de individuação, entra o necessário filho do self, a dúvida (Satanás) que abala a morna e distante relação posta até o momento entre os dois “atores”. Neste estágio, o self coloca em cheque o modus operandi do ego que é o agente de sua manifestação na consciência, ou seja, aquele que faz o verbo virar carne.


Desta dúvida nasce a angústia que abre espaço para que um self inconsciente e sem vivência da vida puramente humana demonstre toda a sua força e toda a sua sombra, forçando o ego a sucumbir e a desconstruir o contexto que o tornava rígido, e por isso, este ego, antes unilateral, imerge no centro de sua própria desconstrução levando-o assim ao processo de depressão.


E neste obscuro cenário, o ego busca de forma desesperada luz ou possibilidades de saída que perpassem desde o desejo de fim (suicídio) até um confronto com atributos perdidos ou distanciado da alma (anima).


A partir deste ponto, vêm à tona as funções psíquicas para a necessária reorientação da psique, articulando o mundo interior com o exterior para que este não se perca a ponto de não se encontrar mais. Isso dá ao ego a oportunidade de compreender e confrontar suas sombras, construindo assim o início de uma nova perspectiva de caminho e fluência na sua relação com o mundo.


Construída esta base sólida, resultado de uma imersão do ego na sombra e no inconsciente, o self vem à tona e se manifesta soberbo, mas ainda sem consciência. Logo o self ainda tem postura polarizada, ou seja, mora na luz celestial mas vive nas trevas.


Esta interação possibilita que o ego vivencie a polaridade do self de forma madura e agora flexível, pois já entrou em contato com a sombra divina, o que permitiu a ressignificação de sua fé pueril no self, que antes já foi um de seus principais pilares.


Por sua vez o self, dada a recente maturidade do ego, é questionado e enfrentado a ponto de não poder mais ficar indiferente com a sombra que ele mesmo projetava no ego. Sendo assim, o ego deu consciência e sublimou o self, e a comunhão de tais forças interdependentes possibilitaram o desenvolvimento da lógica que dá base à psicologia analítica cujo princípio é conhecer para desconstruir, desconstruir para ressignificar e ressignificar para transformar.


Porém, ainda se faz necessário que estas forças se integrem. Isto só acontece a partir do momento que o ego compreende o fato de que nada é maior que o self, e o seu papel é servi-lo. Por sua vez, o self precisa comungar com o ego, pois ele compreende que é só por este que a sua manifestação consciente é possível.


Eis que se cria da integração do ego (Jó) com self (Javé), e estes dão à luz ao

Deus-sujeito, ou seja, ao si-mesmo (Jesus).

“Cristo se apresenta como mediador sob os dois pontos de vista: primeiramente ele apoia o homem junto a Deus e acalma o medo que se sente em relação a este ser supremo. Ocupa importante posição entre os dois extremos difíceis de se conciliar, ou seja, deus e homem […]. A ele não falta nem o lado humano, nem o divino, e por isso há muito foi designado por símbolos de totalidade, pelo fato de ser concebido como aquele que tudo abarca e une os contrários“[39]

CAPÍTULO 3. O DRAMA DO SUJEITO-DEUS A LUZ DA ALTERIDADE


Este último capítulo é uma tentativa de articular os conteúdos registrados até o momento para trazer à tona a sombra do atual estágio da psique do sujeito brasileiro.


Mas antes se faz razoável informar ao leitor que dar vida à tal hipótese é demasiadamente arriscado, pois, ao tratar da construção simbólica de uma sociedade, é possível e provável a insensibilidade de negar a subjetividade da mesma, e reduzir a potência humana de cada sujeito a uma espécie de massa, que para se tornar homogênea se anestesiou frente a afetos e desafetos de sua história. E é pelo conjunto da obra da vida vivida que se faz presente a hipótese de que somos um povo que nega o próprio self.


Se Javé não existisse na história de Jó, não seria possível o desenvolvimento de um terceiro elemento que é Jesus, o Deus-sujeito, ou seja se o ego não tem um self para integrar, não se faz viável o si-mesmo, portanto, o ego se torna a manifestação de sua própria totalidade, formando assim um sujeito-Deus.

“ A encarnação de Deus em Cristo precisa ser continuada e complementada pelo fato de Cristo não ser um homem empírico devido a sua partenogênese e impecabilidade; Por isso como lemos em Jó 1.5 foi uma luz que brilhou nas trevas, mas não foi compreendido por elas. Permaneceu fora e acima do gênero humano. Entretanto era um homem comum, e por isso, segundo a justiça de Deus, a injustiça praticada contra ele e toda a humanidade só podia ser reparada pela encarnação de Deus em um homem empírico. Este ato de expiação foi realizado pelo Paráclito, pois Deus deve sofrer no homem, da mesma forma que o homem em Deus. Fora disso não há qualquer forma de reconciliação entre as duas partes” [40]

Este sujeito-Deus é egóico por formação, e se estrutura orientado para a sua sobrevida e prazer, pois o ego, ao contrário do self — fenômeno expansivo, numinoso e eterno –, é racional, temporal e finito.


Esta linha de raciocínio, cujos atributos do ego se tornam a base do comportamento social, faz com que a superficialidade, a uniteralidade e a negação ou inconsciência da subjetividade de um não eu formem um cenário dramático para a ética do coexistir.


Esta constatação ganha corpo em fatos como os pautados em uma pesquisa global realizada em 2017 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que coloca o Brasil no topo do ranking sobre a violência nas escolas.


Este levantamento foi feito com mais de 100 mil professores e diretores de escola do Ensino Fundamental e do Ensino Médio com alunos de 11 a 16 anos. Na enquete foi relatado que 12,5% dos professores ouvidos no Brasil disseram ser vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana. Este é o mais alto índice entre os 34 países pesquisados que tem em média 3,4%.


Nos últimos 13 anos as áreas de saúde e educação representaram aproximadamente 70% dos esquemas de corrupção em municípios brasileiros, causando um prejuízo estimado de R$ 4 bilhões.


Uma das claras consequências, se manifesta no PISA, que avalia a educação no Brasil e no mundo, destaca que o país está entre os oito piores países no ranking, em matérias relacionadas a ciências, figurando atrás de países como Trinidad e Tobago, Costa Rica, Qatar, Colômbia e Indonésia, ficando na 63ª posição de 70 nações avaliadas nessa disciplina no ano de 2015.


Uma pesquisa encomendada pelo O GLOBO e realizado pelo “Comunica que muda” em 2018, aponta que 61,7% das menções ao tema do aborto não são feitas por mulheres e sim por homens, e em sua maioria se manifestam claramente contra a descriminalização, regulamentação ou liberação do aborto no Brasil. Ao mesmo tempo, dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com base no Censo Escolar de 2011, apontam que há 5,5 milhões de crianças brasileiras sem o nome do pai na certidão de nascimento, dando luz ao tema do abandono parental, tema este que ao contrário do aborto, não tem força, nem valor na agenda política.


Outro ponto importante é que, segundo o Observatório de Homicídios do Instituto Iguapé, o Brasil é absoluto em número de homicídios no mundo. Foram aproximadamente 60 mil mortes no ano de 2016, e as principais causas foram a desigualdade, o desemprego, a baixa escolaridade, a urbanização irregular, drogas ilícitas, armas ilegais e políticas públicas (dada a não prioridade do governo no desenvolvimento socioeconômico), além da impunidade manifesta na baixa taxa de investigação e punição de crimes realizados.


E para fechar a temática da violência, dados da ONG mexicana Segurança, Justiça e Paz apontam o Brasil como o país com o maior número de cidades entre as 50 mais violentas do mundo. Esta pesquisa tem como base o levantamento anual sobre as taxas de homicídios por 100 mil habitantes.


Natal (RN) é considerada a cidade mais violenta do Brasil e ocupa o quarto lugar no ranking mundial, com números de 102,56 homicídios por 100 mil habitantes. Uma comparação importante é que a Organização Mundial da Saúde considera taxas maiores que 10 homicídios por 100 mil habitantes um estágio de violência epidêmica. Outro número que se destaca é o fato de que no Brasil mais de 90% dos homicídios ficam impunes.


No ego está o eu, no self está o nós. Eis que se faz o drama do sujeito-Deus à luz da alteridade. E a violenta negação do que nos torna divinos faz com que reste apenas a manifestação estética da imago dei[41].


Esta constatação é vívida nas projeções sociais rotineiras e refletidas na indiferença do sujeito brasileiro com o não eu, na busca do eterno herói, distante e imagético, no desespero de compensar a anima perdida com experiências superficiais no consumo e poder, mas principalmente na sombra coletiva, onde, contraditoriamente, acolhemos e apagamos a luz de nosso self.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Caro leitor, faz-se aqui importante pontuar que este estudo não busca ser absoluto nem constituir definições ou conceitos limítrofes sobre o estado da arte da psique do sujeito brasileiro.


Este teve como força maior ser um espaço de reflexão para entender o porquê da ausência de alteridade deste sujeito no momento atual. E, como foi possível averiguar dentro dos conceitos propostos, existe de fato uma base para que tais atitudes aflorem constantemente no cotidiano.


É possível compreender uma linha-mestre no comportamento de tal sujeito, tendo como base o livro Espelho Índio de Gambini, que demonstra que somos um povo que nega o próprio self, e como foi possível articular entre os conceitos de Jung e no seu livro Resposta a Jó, não se permite a criação do si-mesmo sem um self, nos sobrando apenas a possibilidade de dar vida à construção de um sujeito-Deus.


Somos egóicos por criação e indiferentes sobre o que provavelmente seja o maior presente, e é a mais clara sabedoria do fenômeno divino: a alteridade.


Sendo assim, a nossa inconsciência sobre aquele que nos permite sublimar faz de uma possível experiência transformadora e integradora um drama social, e este é o nosso drama.

Somos o resultado direto da negação de nosso próprio self, o que acarretou na inconsciência de todo potencial transcendental que se dá a partir da interação entre o sujeito e o não eu.


Este sujeito que incorpora a essência primal e inconsciente de Javé não enxerga no outro a projeção manifesta de sua própria consciência, tornando estéril a possibilidade de edificação dos afetos, bem como de autorreflexão ou necessidade de questionamento não só sobre o papel do eu para com o outro, mas também sobre qual a função deste eu no mundo.

Por consequência, o sujeito brasileiro não busca na relação humana a melhor experiência de jornada ética para a vida.


Ele substitui a potência do afeto por imagens portadoras de força social e traz consigo a esperança de que nesta caricatura relacional seja possível uma espécie de ancoragem de sua autoimagem, o que lhe dá a sensação de ter a estrutura necessária para que a partir desta moldura se torne possível o seu encontro e comunhão com um pseudo-Deus, que é plural na forma, mas por refletir o sujeito em sua inteireza é vazio de self.


E neste evento, a luz da imago dei proporciona ao ego pueril e simplório a percepção de que este já é por si só a própria totalidade, mesmo que ainda inconsciente de seu self, e mesmo que só pelo self a individuação se torna real.


Por fim, caro leitor é inviável pensar este conteúdo como fim de tal reflexão.


Aqui foi possível dar passos importantes para a construção de uma base crítica para ler e reler o sujeito-Deus, e compreender que este é um protótipo de luz que esconde no âmago de sua sombra o seu maior tesouro, como posto nas claras palavras de Gambini (2016) “O melhor futuro possível de ser concebido para o Brasil está oculto em suas raízes [42]

Fizemos de nossas raízes sombra, e fizemos desta sombra persona dominante.


Dito isto, é possível pontuar que o grande desafio da sociedade brasileira seja sublimar e transcender o ego encarnado para que o sujeito-Deus possa enfrentar sua sombra, vivenciar seu luto e reencontrar seu self. E isto se dará quando realizada a travessia que começa na imersão em sua própria humanidade, lhe dando assim consciência de sua pequenez e de sua necessária desconstrução.


Isto possibilitará ressignificar e integrar todo conteúdo sombrio vivido na sua jornada, semeando assim a comunhão entre o nós e o sagrado, repatriando assim o nosso self e aflorando nesta forma o si-mesmo, o Deus-sujeito. Escrito por: Raoni Cusma


Especialista em Design de Conceito, consultor, palestrante e professor universitário, graduado em Gestão Pública (FGV); pós graduado em Design Estratégico (IED) e em Psicologia Analítica (IJEP).


NOTAS

[1] JUNG. 2001

[2] BONAVENTURE, 1985, p. 86

[3] JUNG, 2000d, p.211

[4] JUNG, 2011a, p.120

[5] JUNG, 1978 p.60

[6] JUNG, 1984, p. 426

[7] GAMBINI, 2000

[8] GAMBINI, 2000, p.159

[9] GAMBINI, 2000, p. 160

[10] JUNG, 1986, p. 332

[11] GAMBINI 2000. p. 49

[12] JUNG, 2008, p 328

[13] JUNG, 2008, p 328

[14] GAMBINI, 2000, p. 173

[15] GAMBINI, 2000, p. 202

[16] JUNG, 2008c, p.63

[17] JUNG, 2008; p. 19

[18] JUNG,2000d p.76

[19] JUNG, 2000d, p. 77

[20] JUNG, 2000d, p.36

[21] JUNG, 2011b, p. 126

[22] JUNG, 2011c, p.97

[23] JUNG, 200d p.13

[24] JUNG, 2008b, p.85

[25] JUNG, 2000. p.111

[26] Curador ferido, é o mito grego de Quíron, um centauro imortal ferido por uma flecha de Hércules. Após este fato Quíron ferido e com uma dor indescritível, sai em busca de seu autoconhecimento para aliviar a própria dor. Eis que descobre que ao amenizar a dor do outro a sua própria dor abrandava.

[27] JUNG, 1984 p.468

[28] JUNG, 2011d p. 174

[29] JUNG, 2001 p.610

[30] JUNG, 1998, p.59

[31] JUNG, 1986, p. 51

[32] JUNG, 1998, p.59

[33] EDINGER, 1996, p. 67

[34] JUNG, 2011e, p.27

[35] JUNG, 2011e, p.26

[36] JUNG,2011e, p.58

[37] JUNG, 2011e, p.63

[38] A frase original de Isaac Newton é “Se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes”

[39] JUNG,2011e, p.87

[40] JUNG,2011e, p 69

[41] Imago dei para Jung é a imagem de Deus que pela abordagem analítica é tratada como um símbolo transcendente e transformador. Esta manifestação psicológica é de grande energia e estimula o sujeito a unificar seus conteúdos opostos. “ […] a imagem de deus não coincide propriamente com o inconsciente em si, mas como um conteúdo particular deste último, isto é, o arquétipo do si-mesmo”

[42] Roberto Gambini — Um Sonho de Futuro para o Brasil. 2016


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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JUNG, Carl Gustav. O Desenvolvimento da Personalidade — Vol. 17 — Col. Obra Completa — 11ª Ed. — 2011d

JUNG, Carl Gustav Resposta a Jó — Psicologia e Religião Ocidental e Oriental — Col. Obra Completa — Vol. 11/4–8ª Ed. — 2011e


Matérias online

ATLAS da Violência 2018: Brasil tem taxa de homicídio 30 vezes maior do que Europa. O Globo. Disponível em: < https://oglobo.globo.com/brasil/atlas-da-violencia-2018-brasil-tem-taxa-de-homicidio-30-vezes-maior-do-que-europa-22747176>. Acessado em: 10/08/2018

ATLAS da Violência 2018: Crianças são maiores vítimas de estupro no país. O Globo. Disponível em: < https://oglobo.globo.com/brasil/atlas-da-violencia-2018-criancas-sao-maiores-vitimas-de-estupro-no-pais-22747251>. Acessado em: 10/08/2018

BRASIL piora 17 posições no ranking de corrupção da Transparência Internacional. El pais. Disponivel em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/20/politica/1519152680_008147.html> Acessado em: 13/08/2018

Brasil é 1º lugar em ranking de percepção de corrupção. O Globo. Disponivel em: <https://oglobo.globo.com/economia/brasil-1-lugar-em-ranking-de-percepcao-de-corrupcao-22625607> > Acessado em: 13/08/2018

BRASIL é 46º em ranking global de países verdes. EXAME. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/brasil/brasil-e-46o-em-ranking-global-de-paises-verdes/>. Acessado em: 17/01/2018

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Vídeos/Palestras

GAMBINI. Roberto. Roberto Gambini em entrevista na Globonews. 2000. (23m07s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=AEOOMShLBs4>. Acesso em: 15/04/2018

GAMBINI. Roberto. A Alma Ancestral do Brasil. 2012. (27m09s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ZPon2i7Ya18>. Acesso em: 15/04/2018

GAMBINI. Roberto. Roberto Gambini — Em Busca do Espelho. 2015. (43m25s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=syqrIgiGKPo>. Acesso em: 10/10/2017

GAMBINI. Roberto. O Nascedouro da Alma Brasileira. 2000. (42m14s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=FDfkAdajBjk>. Acesso em: 15/10/2017

GAMBINI. Roberto. Roberto Gambini — “Os Grandes Arquétipos da História da América Latina. 2000. (1h25m33s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=uhXtAKWl2To>. Acesso em: 05

GAMBINI. Roberto. Roberto Gambini — Brasil, outros 500. 2011. (1h49m53s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=osNkj9PZmEE>. Acesso em:

GAMBINI. Roberto. Roberto Gambini em Palestra na PUC — 1995. 1995. (2h05m23s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=UX7wPWBRl8w>. Acesso em:

GAMBINI. Roberto. Em busca de um símbolo renascido. 2013. (2h32m40s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=RDH3Ui4QX2c>. Acesso em:

GAMBINI. Roberto. Roberto Gambini — Um Sonho de Futuro para o Brasil. 2016. (39m16s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=CmnHi31mM3M>. Acesso em: 30/11/2017

KARNAL. Leandro. Ódio no Brasil. 2012. (46m10s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=TDe9mceO--s>. Acesso em: 17/09/2017

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